No livro Psicologia Aplicada à Administração, Agostinho Minicucci escreve “geralmente renunciamos à nossa liberdade de ação para receber recompensas por pertencer a uma organização” (pág 114). Por que nos submetemos a nos submeter? Eric Berne diz que as crianças nascem como princesas e príncipes e seus pais os transformam em sapos. Não pensemos que nossos pais são “culpados” pelo que acontece em nossas vidas. Na verdade essa frase quer simplesmente dizer que os nossos primeiros ensinamentos básicos em relação à troca de carícias (entenda carícia como toda manifestação de afeto, positiva ou negativa, um toque, uma palavra, um presente, um olhar, um soco) nos ensinam a desperdiçar a maior parte do nosso tempo procurando carícias que não nos satisfazem (esses ensinamentos também foram dados aos nossos pais pelos nossos avós e aos nossos avós pelos pais deles e assim por diante!). Sendo assim, nos tornamos facilmente manipulados por pessoas que controlam o fornecimento de carícias através do monopólio delas, porque estamos com fome de carícias! As carícias são tão necessárias à vida humana quanto as outras necessidades biológicas primárias, tais como comida, água e abrigo. A nossa educação cria em nós uma estrutura de caráter que nos impede de buscarmos nossa libertação. Sofremos alienação de nós mesmos, dos nossos amigos e da nossa natureza para a preservação de uma sociedade repressora. O estabelecimento opressivo produz gente (especialmente homens) que são largamente destituídos de sentimentos e sensações em seus corpos, podendo ser explorados como máquinas pelos outros. Aprendemos então a nos comportar de maneira desejável para um “bem” social maior, embora não necessariamente o melhor para nós. Esta manipulação da economia de carícias, involuntariamente adotada pelo maior número de pessoas, jamais foi compreendida como estando a serviço de uma ordem estabelecida e, sendo assim, as pessoas não conseguem avaliar em que medida o controle da economia de carícias está a favor dessa ordem ou não está. A questão é temos regulamentos muito estritos sobre como as carícias devem ser trocadas. A população em geral está faminta de carícias e um grande número de empresas, tais como os salões de massagem, SPAs, empresas de tabaco, de bebida e de automóveis, estão ocupadas em vender carícias aos seus consumidores. O que podemos fazer é nos libertarmos das restrições da economia de carícias para recuperar o controle dos meios de satisfação de uma necessidade importante. A idéia de que seres humanos satisfeitos não trabalharão e não terão responsabilidade tem sido a premissa básica da educação de muitas crianças. Na verdade, na medida em que os seres humanos forem se tornando cada vez mais satisfeitos em suas capacidades de carícias, serão mais capazes de buscar e conseguir a harmonia consigo mesmo, com os outros e com a natureza.
(Lorraine Possamai)




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