quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Okeidade - O encontro

O encontro com o outro sugere que antes de tudo, estejamos presentes. Presentes conosco mesmos, conectados à realidade, presentes em relação ao outro. Crema descreve no livro “Saúde e Plenitude”, de forma rica e bela, como se dá esse encontro.
“Percebo que existe algo que devo fazer antes de começar a sessão. Permito-me saber sou bastante. Não sou perfeito. Perfeito não será o bastante. Mas que sou humano e que isso é o bastante. Não há coisa alguma que este homem possa dizer, fazer ou sentir que eu não possa sentir em mim. Posso estar com ele. Sou bastante.[i]”(Carl Rogers)
Ser bastante é ouvir com a alma, é ouvir o outro por inteiro e acolhê-lo na sua inteireza. Abrir-se à escuta do corpo, da psique e da alma do outro com suporte da auto-proteção, do conhecimento e de humanidade. “Ser bastante é não atraiçoar, é não apequenar; é uma abertura inteligente para a imensidão do fenômeno humano”.
Então, a partir daí, é como “enlaçar a mão do outro, simbolicamente, numa atitude de confiança e respeito que anuncia: você não está sozinho; vá em direção a você mesmo e eu estarei ao seu lado. Oriente o seu coração para aprender, para conhecer-se e tornar-se o que é, e eu estarei ao seu lado”. Ninguém pode fazer o outro sentir-se bem ou mal, mas pode sempre convidá-lo a estar bem ou mal, numa atitude firme e nutritiva que propicia o desenvolvimento da consciência, espontaneamente e intimidamente dentro do objetivo social “seguir com”.
“Necessitei muitos anos nesta jornada para dar-me conta de que cada amigo evolutivo que bate à minha porta é um pedacinho da minha própria alma que necessito escutar, compreender e integrar. Cada pessoa significativa na existência, incluindo-se os inimigos, são pedaços perdidos de nossas almas, à espera de uma escuta e um reencontro integrador. Assim sendo, os encontros nos devolvem parcelas perdidas de nossa alma comum. Gradativamente, nesta aventura alquímica humana, a alma se amplia. Então, como diz o poeta Pessoa, “tudo vale a pena, pois a alma não é pequena.” Vivemos em rede, estamos interligados, então cada pessoa que acessamos compreende uma rede de relações que se desenvolve, que se amplia no conhecimento e no afeto que se dispõe a transmitir e agregar.
É essencial, portanto, buscar os recursos necessários para desenvolver essa escuta, amadurecer a alma com o conhecimento e o afeto, para ser “bastante” e crer na okeidade daquele que vem compartilhar e encontrar-se contigo e consigo nesta jornada evolutiva.

0 comentários:

Postar um comentário