Sempre podemos deixar de ser o que estamos sendo.
“Na realidade, de todos os instrumentos que analisamos, o único realmente importante e decisivo SOU EU MESMO, se estou OK. Nunca podemos fazer outra pessoa ficar mais OK do que nós estamos. Para se ajudar a quem quer que seja, antes precisamos aceitá-lo. E para se aceitar o outro temos primeiro que aceitarmos a nós próprios”.
“Diante de uma pessoa com condutas inadequadas só somos responsáveis pela nossa mudança, e não pela sua mudança. Se ela está Não-OK por uma causa qualquer, não podemos manipular a causa, mas sim nossas respostas. O salvador é quem se responsabiliza pela mudança do outro, tornando-o dependente do mesmo ato”.
“O terapeuta não cura ninguém, é o cliente que se cura. Se estamos OK criamos um clima nutritivo e convidamos o outro a estar também OK. E muito podemos fazer se somos potentes, ou seja, se temos um A fortalecido e informado, um PN permissivo e uma CL positiva. E, principalmente se além de falar, fazemos também”.
“É conveniente frisar que em todo processo de mudança há uma primeira etapa em que as condutas OK aprendidas são emitidas automaticamente, para apenas depois surgirem espontaneamente”.
O mecanismo mais comum que utilizamos para continuarmos Não-OK é justificarmo-nos pelo passado, fazendo com que uma recordação se transforme numa causa que nada tem a ver com o processo. É importante desligar a influência da causa e trabalhar-se o como.
“O passado como causa faz com que o A não assuma a responsabilidade da sua conduta, esquivando-se pelo “porquê”e pela racionalização. É certo que possuímos gravações antigas, mas também é certo que prestamos atenção a elas. E somos responsáveis pela atenção que a elas prestamos”.
“Isto é que nos leva a crer que a AT postula uma filosofia da responsabilidade. Seu objetivo é levar o indivíduo a assumir seu pensar, atuar e sentir, no aqui-e-agora, entendendo o passado como experiência e o futuro como planificação. E se pretendemos ajudar-nos e aos outros, nossa primeira responsabilidade é estar OK”.
Tudo indica que não há limites para o fenômeno humano. E somos responsáveis também por nossas potencialidades.
Ressalto então, os princípios básicos que devem nortear o trabalho com a Psicologia:
Sabedoria, potência
É essencial aliar a isso dois princípios básicos: o do tempo, como diz o amigo Ari Martins: “Que a sua verdade seja tão boa quanto capaz de respeitar o tempo do outro” e o do amor: Philon de Alexandria descreveu a tarefa dos Terapeutas de contemplação do ser, fundamental regra da vida, e sobre o combustível que deve mover esta tarefa: “Aqueles que se tornam Terapeutas, não o fazem por hábito ou pela insistência alheia, mas por um arrebatamento de amor divino”.
Podemos agir, em nossas vidas e em nossa profissão, movidos pelo exercício do amor. Exercício porque nem sempre conseguimos amar, porque estamos, constantemente, aprendendo o que é o amor do qual falou Camões e tantos outros. Mas movam seu trabalho neste sentido, esta, segundo os maiores pensadores, sempre é a melhor direção.
Este é um convite para você conhecer a AT e seus fundamentos e também para você começar a se transformar em borboleta, já que“Tudo está em transformação, tudo está em mudança, onde você pisar é ponte, só há mutação, não há o que passa e nem há aquilo que faz passar, só há passagem” (Crema). Mas...como é que se começa a transformação? “Você deve desejar tanto voar que se dispõe até a deixar de ser lagarta”
(Trina Paulus)



