quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Okeidade - Uma Filosofia da Responsabilidade (Parte 3)

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Sempre podemos deixar de ser o que estamos sendo.
“Na realidade, de todos os instrumentos que analisamos, o único realmente importante e decisivo SOU EU MESMO, se estou OK. Nunca podemos fazer outra pessoa ficar mais OK do que nós estamos. Para se ajudar a quem quer que seja, antes precisamos aceitá-lo. E para se aceitar o outro temos primeiro que aceitarmos a nós próprios”.
“Diante de uma pessoa com condutas inadequadas só somos responsáveis pela nossa mudança, e não pela sua mudança. Se ela está Não-OK por uma causa qualquer, não podemos manipular a causa, mas sim nossas respostas. O salvador é quem se responsabiliza pela mudança do outro, tornando-o dependente do mesmo ato”.
“O terapeuta não cura ninguém, é o cliente que se cura. Se estamos OK criamos um clima nutritivo e convidamos o outro a estar também OK. E muito podemos fazer se somos potentes, ou seja, se temos um A fortalecido e informado, um PN permissivo e uma CL positiva. E, principalmente se além de falar, fazemos também”.
“É conveniente frisar que em todo processo de mudança há uma primeira etapa em que as condutas OK aprendidas são emitidas automaticamente, para apenas depois surgirem espontaneamente”.
O mecanismo mais comum que utilizamos para continuarmos Não-OK é justificarmo-nos pelo passado, fazendo com que uma recordação se transforme numa causa que nada tem a ver com o processo. É importante desligar a influência da causa e trabalhar-se o como.
“O passado como causa faz com que o A não assuma a responsabilidade da sua conduta, esquivando-se pelo “porquê”e pela racionalização. É certo que possuímos gravações antigas, mas também é certo que prestamos atenção a elas. E somos responsáveis pela atenção que a elas prestamos”.
“Isto é que nos leva a crer que a AT postula uma filosofia da responsabilidade. Seu objetivo é levar o indivíduo a assumir seu pensar, atuar e sentir, no aqui-e-agora, entendendo o passado como experiência e o futuro como planificação. E se pretendemos ajudar-nos e aos outros, nossa primeira responsabilidade é estar OK”.
Tudo indica que não há limites para o fenômeno humano. E somos responsáveis também por nossas potencialidades.
Ressalto então, os princípios básicos que devem nortear o trabalho com a Psicologia:
Conhecimento, proteção, permissão
Sabedoria, potência
Sensibilidade, intuição
É essencial aliar a isso dois princípios básicos: o do tempo, como diz o amigo Ari Martins: “Que a sua verdade seja tão boa quanto capaz de respeitar o tempo do outro” e o do amor: Philon de Alexandria descreveu a tarefa dos Terapeutas de contemplação do ser, fundamental regra da vida, e sobre o combustível que deve mover esta tarefa: “Aqueles que se tornam Terapeutas, não o fazem por hábito ou pela insistência alheia, mas por um arrebatamento de amor divino”.
Podemos agir, em nossas vidas e em nossa profissão, movidos pelo exercício do amor. Exercício porque nem sempre conseguimos amar, porque estamos, constantemente, aprendendo o que é o amor do qual falou Camões e tantos outros. Mas movam seu trabalho neste sentido, esta, segundo os maiores pensadores, sempre é a melhor direção.
Este é um convite para você conhecer a AT e seus fundamentos e também para você começar a se transformar em borboleta, já que“Tudo está em transformação, tudo está em mudança, onde você pisar é ponte, só há mutação, não há o que passa e nem há aquilo que faz passar, só há passagem” (Crema). Mas...como é que se começa a transformação? “Você deve desejar tanto voar que se dispõe até a deixar de ser lagarta”
(Trina Paulus)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Okeidade - Objetivo da Análise Transacional (Parte 2)

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Estar OK significa, principalmente, ser autônomo. A okeidade de uma pessoa não pode depender das reações dos outros.
Intimidade: “ a relação que leva à intimidade é, para muitas pessoas, uma relação motivada pela deficiência, ou seja, na satisfação de carências de ambas as partes”.
“Uma relação que exige que o outro não seja ele mesmo é uma relação insatisfatória e tóxica, implicando sempre em disfarces. Quando as pessoas não são elas mesmas conosco, elas não estão realmente conosco e, de fato, estamos sós”.
A intimidade deve vir de dentro para fora: é a partir da intimidade consigo mesmo que a pessoa se abre para receber e aceitar o abraço do outro, pois, enquanto isso não ocorre, o vazio fica na espera do aconchego que nunca aquece. Seja para si mesmo o que você precisa, abrace-se, ame-se, elogie-se, deixe de olhar o mundo com a cor manchada da sua decisão original, redecida: “desisto de esperar que os outros me preencham e tomem conta de mim; que os outros adivinhem a minha carência e me concedam espaço. Tomo agora a minha própria mão; comprometo-me a ser um acompanhante amigo de mim mesmo. Assumo ser a minha própria luz”.
Consciência e atitude: a consciência, como a entendemos, é função do A vivendo AQUI-E-AGORA. “Estar aqui-e-agora significa a libertação do refúgio e prisão do passado, ansiedade do futuro e estar aberto às estimulações do presente”.
“Qualquer atitude, considerada no lá-e-então representa uma expectativa de que o passado se repita no presente (P e CA)”.
“Acreditamos que com a progressiva libertação do rígido e compulsivo condicionamento ao habitual tornaremo-nos aptos a estar plenamente conscientes no aqui-e-agora”.
Espontaneidade: a contenção de emoções vindas da infância absorve energia, impede a função espontânea de corpo: sensação-sensitividade-criatividade-produtividade-comunicação a sentir.
-É necessário libertar essa C;
-Saber que ela existe;
-Desenvolver PN que a defenda e proteja.
O caminho para o A Integral é a reaprendizagem da nossa sensibilidade e o reencontro com o nosso corpo: readquirirmos nossa linguagem esquecida.
Enfim, autonomia pode ser muito bem compreendida com a seguinte frase de Fernando Pessoa: “A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos”.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Okeidade - Objetivo da Análise Transacional (Parte 1)

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Segundo Crema, o objetivo da AT é tornar o indivíduo ok:
1) Funcionar no circuito positivo da personalidade:
Para Berne, nossa essência é OK/OK e todos nascemos com potencial de Vencedor.
As pessoas não estão Não–OK por natureza, mas por condicionamentos negativos. Então o terapeuta deve levar em consideração, com discernimento e rigor prático, os males, limitações, feridas e dores do cliente, sem circunscrevê-lo a isso, mas conscientizando-o, sobretudo, dos seus recursos, da sua capacidade de ser e se manter OK.
“Quando esta pessoa inicia o processo de atingir sua okeidade, é desencadeada uma reação em cadeia no seu grupo social que a convida a estar novamente Não-OK. Então, quando alguém opta por sua okeidade, tem que renunciar a segurança e estabilidade dos papéis patológicos complementares[i]”, em troca de mais intimidade em relações mais saudáveis, assumindo uma postura firme e nutritiva consigo mesmo e com o outro. Para isso, ela tem que ter clara suas potencialidades, seus recursos para reagir a essas situações.
“Estar OK não significa, necessariamente, ajustar-se ao meio. A AT não se destina a domesticar as pessoas, mas a fornecer-lhes condições e instrumentos para que possam assumir sua autonomia e assim decidirem o que fazer com suas próprias vidas”. Podemos obrigar alguém a ser prisioneiro, mas jamais forçá-lo a ser livre, assim como não podemos fazer com que o mar transforme-se em um rio ou um Jasmim venha a ser uma Rosa. Existe o desejo, a essência, a maturidade e o tempo de cada um... não apresse nem force o curso do rio... ele tem sua própria maestria...
“Também é importante dizer que não é OK sentir-se sempre OK. O impulsor Seja Forte e, em menor grau, o Seja Perfeito e Seja Esforçado, condicionam as pessoas a apresentarem apenas o seu “sentir-se bem” aparente. Neste caso, é necessário dar permissão para a pessoa se sentir mal, expressando sua tristeza, medo e raiva, que são também emoções autênticas”.
2) Responder com Estado do Ego adequado às situações:
Para responder com Estado de Ego adequado às situações a pessoa deve estar funcionado no circuito OK; ter sua catexia equilibrada e consciência do seu funcionamento, para que possa atuar assertivamente nos seus 3 Estados de Ego.
3) Vivenciar o aqui-e-agora com auto-suporte ou autonomia:
Autonomia: desenvolver: - intimidade (P);
- consciência (A);
- espontaneidade (C).

[i] Crema, Roberto. Manual de Análise Transacional. Brasília: Teledata, 1982.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Okeidade - O encontro

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O encontro com o outro sugere que antes de tudo, estejamos presentes. Presentes conosco mesmos, conectados à realidade, presentes em relação ao outro. Crema descreve no livro “Saúde e Plenitude”, de forma rica e bela, como se dá esse encontro.
“Percebo que existe algo que devo fazer antes de começar a sessão. Permito-me saber sou bastante. Não sou perfeito. Perfeito não será o bastante. Mas que sou humano e que isso é o bastante. Não há coisa alguma que este homem possa dizer, fazer ou sentir que eu não possa sentir em mim. Posso estar com ele. Sou bastante.[i]”(Carl Rogers)
Ser bastante é ouvir com a alma, é ouvir o outro por inteiro e acolhê-lo na sua inteireza. Abrir-se à escuta do corpo, da psique e da alma do outro com suporte da auto-proteção, do conhecimento e de humanidade. “Ser bastante é não atraiçoar, é não apequenar; é uma abertura inteligente para a imensidão do fenômeno humano”.
Então, a partir daí, é como “enlaçar a mão do outro, simbolicamente, numa atitude de confiança e respeito que anuncia: você não está sozinho; vá em direção a você mesmo e eu estarei ao seu lado. Oriente o seu coração para aprender, para conhecer-se e tornar-se o que é, e eu estarei ao seu lado”. Ninguém pode fazer o outro sentir-se bem ou mal, mas pode sempre convidá-lo a estar bem ou mal, numa atitude firme e nutritiva que propicia o desenvolvimento da consciência, espontaneamente e intimidamente dentro do objetivo social “seguir com”.
“Necessitei muitos anos nesta jornada para dar-me conta de que cada amigo evolutivo que bate à minha porta é um pedacinho da minha própria alma que necessito escutar, compreender e integrar. Cada pessoa significativa na existência, incluindo-se os inimigos, são pedaços perdidos de nossas almas, à espera de uma escuta e um reencontro integrador. Assim sendo, os encontros nos devolvem parcelas perdidas de nossa alma comum. Gradativamente, nesta aventura alquímica humana, a alma se amplia. Então, como diz o poeta Pessoa, “tudo vale a pena, pois a alma não é pequena.” Vivemos em rede, estamos interligados, então cada pessoa que acessamos compreende uma rede de relações que se desenvolve, que se amplia no conhecimento e no afeto que se dispõe a transmitir e agregar.
É essencial, portanto, buscar os recursos necessários para desenvolver essa escuta, amadurecer a alma com o conhecimento e o afeto, para ser “bastante” e crer na okeidade daquele que vem compartilhar e encontrar-se contigo e consigo nesta jornada evolutiva.